“A gente viu que faltava um espaço para receber essa ânsia de empreender dos nossos alunos, um espaço que acolhesse, que desse suporte”. A constatação do professor Humberto Tonani Tosta, ainda em 2014, marcou o início da concepção da Incubadora de Negócios da Universidade Federal da Fronteira Sul (INNE), no Campus Chapecó.
A partir dessa necessidade, a INNE foi estruturada como um ambiente voltado ao desenvolvimento de ideias em estágio inicial, com oferecimento de suporte gratuito a empreendedores por meio de mentorias, consultorias, apoio à captação de recursos, orientação para propriedade intelectual e conexão com investidores e parceiros estratégicos.
Conforme o professor, a criação da incubadora envolveu estudos, visitas técnicas a outros ecossistemas de inovação e articulação institucional. Em 2016, foram organizados regimento, processos internos e negociações para viabilizar o espaço físico, até então inexistente.
A inauguração ocorreu em 2017, com uma festa, mesmo ainda em fase inicial de estruturação e sem mobiliário, simbolizando o início das atividades mesmo diante de limitações. Com o passar dos anos, a INNE ampliou sua atuação para além do curso de Administração e consolidou-se como uma incubadora do Campus, com participação de estudantes de diferentes áreas e também da comunidade externa.
Estrutura, serviços e resultados
De acordo com o Relatório de Gestão 2025, a INNE apresenta resultados expressivos. Ao longo do período, mais de 5,4 mil pessoas foram impactadas por meio de mentorias, eventos, capacitações e uso do espaço. Sete empresas incubadas, mais de 70 mentorias realizadas, 443 agendamentos no espaço de coworking e cerca de 3,5 mil usuários dos ambientes da incubadora são outros resultados importantes alcançados pela incubadora.
A estrutura inclui espaços compartilhados, apoio técnico e acesso a laboratórios, promovendo a integração entre diferentes áreas do conhecimento.
Missão e inserção da incubadora
O professor Tosta explica que, mais do que apoiar negócios, a INNE cumpre um papel estratégico na formação acadêmica. A atuação está diretamente ligada à tríade ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para o desenvolvimento de competências empreendedoras nos estudantes.
“A INNE tem propósitos: apoiar negócios, transformar ideias em negócios de sucesso, mas também qualificar o nosso processo de ensino e aprendizagem”, destaca o professor.
A vivência prática permite que os estudantes desenvolvam habilidades como liderança, comunicação, tomada de decisão e gestão de projetos, ampliando sua preparação para o mercado de trabalho. O professor ressalta que há, também, relatos de alunos que, a partir da participação nas atividades da incubadora, receberam oportunidades profissionais ou desenvolveram seus próprios negócios.
Tosta relembra que, ao longo de sua trajetória, a INNE passou a atuar como elo entre a universidade e o ecossistema regional de inovação, estabelecendo parcerias com instituições como SEBRAE, associações empresariais, hubs de inovação e outras instituições de ensino. “No início, a gente tinha que explicar o que era a UFFS. Hoje, a gente consegue inserir a universidade em diversos espaços do ecossistema”, frisa ele. Essa atuação contribui, segundo o professor, para aproximar a produção acadêmica das demandas da sociedade e do setor produtivo, fortalecendo a presença da universidade em eventos, feiras e iniciativas externas.
Reconhecimento estadual
O trabalho desenvolvido pela INNE ao longo de uma década foi reconhecido em nível estadual. A incubadora conquistou o segundo lugar no prêmio DNA UFSC, na categoria de liderança em habitats de inovação. “Fiquei bastante feliz, emocionado pelo reconhecimento de um trabalho de uma década”, destacou o coordenador, ressaltando que a conquista é resultado de um esforço coletivo de professores e estudantes.
Para o professor, a premiação no DNA UFSC 2025 também representa um marco na trajetória da INNE ao projetar a UFFS no cenário estadual de ciência, tecnologia e inovação. A participação evidenciou o trabalho desenvolvido no Campus Chapecó e reforçou a inserção da universidade em um ecossistema historicamente mais concentrado no litoral catarinense, ampliando sua visibilidade e reconhecimento institucional.
“Estar em segundo lugar é um esforço coletivo, principalmente de professores e alunos que mantêm a INNE funcionando e se destacando no nosso ecossistema”. Para o coordenador, o reconhecimento vai além do resultado, pois simboliza a consolidação de uma trajetória construída ao longo de mais de uma década e reforça o papel da incubadora como agente de transformação dentro da universidade e na região.
Conforme o site da premiação, o “DNA UFSC seleciona e premia projetos de alto potencial empreendedor, desenvolvidos por alunos, servidores ou egressos da Universidade Federal de Santa Catarina. A premiação é uma iniciativa da UFSC, promovida pela SINOVA/PROPESQ, e tem como objetivo a identificação e o reconhecimento das iniciativas de pessoas, instituições e empresas que têm ou tiveram vínculo com a UFSC, que se destacaram por seu protagonismo empreendedor”.
Papel estratégico
O professor lembra que a atuação da INNE está alinhada à missão da universidade pública de formar profissionais qualificados e contribuir para o desenvolvimento da sociedade. “A universidade pública existe para desenvolver pessoas. E a gente desenvolve pessoas também pela criação de negócios, pela inovação, pela pesquisa”, salienta ele.
Ao integrar ensino, pesquisa e extensão, para Tosta, a incubadora contribui para transformar conhecimento acadêmico em soluções com potencial de impacto econômico e social, fortalecendo o papel da UFFS no desenvolvimento regional.
Para os próximos anos, a expectativa da equipe é ampliar o número de empreendimentos incubados, fortalecer a participação de docentes e estudantes e expandir a atuação da incubadora para diferentes áreas do conhecimento.
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