A UFFS – Campus Chapecó passa a contar com uma Sala de Acolhimento Sensorial (sala 218 do Bloco C), projetada para atender estudantes que enfrentam situações de sobrecarga emocional ou hipersensibilidade a estímulos do ambiente acadêmico. A iniciativa busca oferecer suporte a públicos como pessoas autistas, com TDAH e outras neurodivergências, além de estudantes que vivenciam ansiedade, crises de pânico ou sofrimento psíquico.
A inauguração do espaço será realizada na quinta-feira (14), às 15h30. A Sala de Acolhimento Sensorial é fruto de uma parceria entre o Campus Chapecó e a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), com recursos do Campus e do Programa Incluir, do Ministério da Educação (MEC).
“Estamos muito felizes em poder oferecer esse equipamento pedagógico, que é mais uma iniciativa para promover a inclusão e acessibilidade para o desenvolvimento de habilidades e convívio social de pessoas com alta sensibilidade aos estímulos dos espaços públicos no Campus Chapecó”, afirma a diretora do Campus Chapecó, Adriana Remião Luzardo.
Segundo Rosenei Cella, da Pró-Reitoria de Graduação, a proposta começou a ser construída em 2024, durante uma reunião de planejamento entre a PROGRAD e os setores de acessibilidade dos campi. “Uma das servidoras do Campus Chapecó apresentou a proposta, que foi acolhida pela Pró-Reitoria e teve apoio dos demais campi como uma experiência piloto que poderá ser adaptada e replicada futuramente”, explica. Segundo ela, a Pró-Reitoria atuou na condução dos processos de compra, na articulação com a Secretaria Especial de Obras (SEO), com o Campus e com a Pró-Reitoria de Administração e Infraestrutura (PROAD), além da gestão do contrato e prospecção de fornecedores.
Segundo a técnica em Assuntos Educacionais do Setor de Acessibilidade do Campus Chapecó, Cláudia Felisbino, a criação do espaço responde a uma demanda crescente observada nos últimos anos. “O Campus tem recebido cada vez mais estudantes com deficiência, transtornos de aprendizagem e questões de saúde mental que exigem um ambiente mais adequado às suas especificidades”, explica.
Um dos principais pontos destacados pela equipe responsável é a necessidade de evitar interpretações equivocadas sobre a finalidade do ambiente. A sala, de acordo com Cláudia, não foi pensada como local de descanso ou lazer, mas como um espaço estruturado para regulação sensorial e emocional.
Segundo ela, estudantes com hipersensibilidade podem ter o sistema nervoso sobrecarregado por estímulos comuns do cotidiano universitário, como ruídos, conversas e iluminação. “Não é um cansaço comum. Em alguns casos, a pessoa pode ter dificuldade de se comunicar, sensação de fraqueza e até náuseas. O ambiente sem estímulos ajuda o sistema nervoso a se reorganizar”, esclarece. Ela compara o espaço a uma espécie de “primeiros socorros sensoriais e emocionais”, voltado a situações específicas que impactam diretamente o bem-estar e a permanência acadêmica.
O acesso à sala é orientado tanto pela legislação, que garante direitos a estudantes da educação especial, quanto pela escuta das demandas identificadas pelo Setor de Acessibilidade. Além disso, o espaço também pode ser utilizado por estudantes que, mesmo sem diagnóstico formal, enfrentem situações pontuais de sofrimento emocional. A sala também poderá atender membros da comunidade externa em atividades realizadas no Campus, como eventos institucionais.
A sala implantada em Chapecó é um projeto piloto. A expectativa é que, a partir da avaliação de seu uso e funcionamento, a iniciativa possa ser ampliada para outros campi da UFFS.
Para Cláudia, a existência do espaço representa um avanço no modo como a universidade pensa a inclusão. “Esse ambiente mostra que a instituição está se organizando para a presença desses estudantes, indo além do acesso, e pensando na permanência e no pertencimento”.
Rosenei afirma que a criação da sala também faz parte de uma política mais ampla de acessibilidade desenvolvida pela universidade. Segundo ela, o trabalho da PROGRAD ocorre em conjunto com os setores de acessibilidade dos campi e envolve ações permanentes voltadas ao acesso e à permanência de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
Ela destaca ainda que os recursos do Programa Incluir, apesar de limitados, têm papel fundamental para que ações como essa sejam possíveis. “O recurso recebido anualmente precisa ser muito bem dimensionado para atender demandas crescentes relacionadas à acessibilidade. Mesmo assim, ele tem permitido investimentos em materiais, equipamentos, capacitações e projetos como as salas de acolhimento sensorial”, explica.
Neuroarquitetura orienta o projeto
O espaço foi desenvolvido com base em princípios da neuroarquitetura, que considera os impactos do ambiente físico no comportamento, na saúde e no bem-estar das pessoas. A arquiteta responsável pelo projeto, Adriana Freitag Migott, que atua na Secretaria Especial de Obras (SEO), explica que a proposta foi criar um ambiente que reduz estímulos excessivos e favorece a regulação sensorial.
“O espaço foi pensado a partir de luz, cores, formas e materiais que promovem acolhimento. A ideia é oferecer uma experiência que contribua para o equilíbrio emocional e a organização sensorial do usuário”, afirma.
Ela ressalta que o projeto é dinâmico e poderá ser ajustado conforme a experiência dos usuários. “A intenção é avaliar o que funciona melhor e, a partir disso, qualificar o modelo para futuras implantações.”
A expectativa é que a sala contribua diretamente para a permanência e o desempenho acadêmico de estudantes que enfrentam dificuldades relacionadas à sobrecarga sensorial ou emocional. Conforme Claudia, relatos recorrentes de estudantes atendidos pelo Setor de Acessibilidade já indicavam a necessidade de um espaço com essas características.