O professor Fernando Reimann Skonieski é o primeiro a embarcar para o exterior. Em março de 2027, ele segue para a Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), onde vai acompanhar as atividades do projeto BOVIGREEN, coordenado pela UAB em colaboração com a empresa Algabrava. A iniciativa reúne validação laboratorial, avaliação da resposta animal e análise das condições necessárias à futura aplicação da tecnologia.
O objetivo é aprofundar conhecimentos científicos e metodológicos sobre o uso da Asparagopsis armata, uma espécie de alga vermelha marinha, como estratégia nutricional para reduzir as emissões de metano entérico em ruminantes. Os bovinos produzem metano durante a fermentação no rúmen, gás eliminado sobretudo pela eructação, nome técnico do arroto dos bovinos. Além de contribuir para o aquecimento global, essa emissão representa perda de energia que poderia ser aproveitada pelo animal.
No laboratório, o professor vai acompanhar experimentos em sistemas de fermentação de fluxo contínuo, que simulam as condições do ambiente ruminal e funcionam como etapa intermediária entre os ensaios in vitro de curta duração e as avaliações in vivo. No campo, acompanhará as avaliações com ênfase na produtividade dos animais e na possível transferência de compostos, como iodo e bromofórmio, para o leite. Essa é uma etapa importante para verificar a segurança do uso da alga na alimentação de vacas leiteiras, sem comprometer a produção, a qualidade do leite e a segurança dos produtos lácteos.
Como o Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, a busca por alternativas para reduzir essas emissões é especialmente importante para a pecuária nacional. “O projeto investiga o potencial da alga, que contém compostos capazes de reduzir a formação de metano durante a digestão. Embora essa alga não seja produzida comercialmente em nossa região, há potencial para seu uso como aditivo na alimentação de bovinos leiteiros e de corte”, avaliou o professor.