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Projetos da UFFS ajudam a preservar e ampliar o acesso ao acervo do Museu 25 de Julho

Iniciativas trabalham na organização, digitalização de documentos históricos e na criação de um site para o museu

Diretoria de Comunicação — 09 de Setembro de 2026 — Atualizado em 09/09/2026

Projetos da UFFS ajudam a preservar e ampliar o acesso ao acervo do Museu 25 de Julho

Os projetos têm um objetivo em comum: contribuir para a preservação da memória local e criar novas possibilidades de acesso ao patrimônio histórico e cultural mantido pelo Museu 25 de Julho.

Mapas do início do século XX, jornais e outros documentos que ajudam a contar a história de Cerro Largo e da região estão entre os materiais que ganharam e ganharão novas formas de preservação e acesso por meio de dois projetos de cultura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Cerro Largo. Isso porque dois projetos desenvolvidos no Campus se dedicam à preservação e ampliação do acesso do acervo do Museu 25 de julho, reconhecido espaço de preservação da memória local. 

Com diferentes frentes de atuação, os projetos têm um objetivo em comum: contribuir para a preservação da memória local e criar novas possibilidades de acesso ao patrimônio histórico e cultural mantido pelo Museu 25 de Julho.

Os trabalhos se complementam. Enquanto o programa “Documentação museológica no acervo do Museu 25 de Julho” atuou diretamente na conservação, organização e documentação de parte do acervo, o projeto “Museu 25 de Julho e outros espaços de circulação” trabalha para levar parte desse patrimônio também ao ambiente digital. As iniciativas são desenvolvidas em parceria com o Museu 25 de Julho e o Centro Cultural 25 de Julho de Cerro Largo, entidade mantenedora do espaço.

Práticas museológicas e da arquivologia 

Ana Beatriz e José Hilster, presidente do Centro Cultural 25 de Julho, durante as atividades do programa (Foto: arquivo pessoal/Divulgação).

O “Programa documentação museológica no acervo do Museu 25 de Julho”, coordenado pela professora Ana Beatriz Ferreira Dias, que iniciou ainda em 2024, desenvolveu ações desde a higienização, passando pela catalogação, inventariado e até o acondicionamento do acervo bibliográfico do acervo do Museu, contribuindo com a conservação preventiva de itens. “Durante esses mais de dois anos, as iniciativas que coordenei tiveram como objeto principal a coleção de jornais O Cerro Largo e 10 mapas e plantas do período da colonização de Serro Azul, do início do século XX”, conta. 

O projeto mobilizou práticas de museologia sob orientação da museóloga do Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo, Luciana Oliveira de Brito, que colaborou diretamente com o programa. Foram tratados 1.001 jornais publicados entre 1957 e 1974, os quais devidamente foram higienizados, registrados e acondicionados, ampliando o controle patrimonial e a segurança informacional da coleção. “Os jornais foram acondicionados em jaquetas de TNT e caixas de polionda, o que contribui para a conservação preventiva dos documentos, reduzindo riscos de deterioração”, explica Ana Beatriz.

Outra ação foi a criação de um sistema de registro padronizado, associando o livro tombo físico à planilha digital, facilitando potencialmente a identificação, rastreabilidade e futuras pesquisas históricas e culturais. “Para essas ações, foi fundamental a parceria com o Sistema Estadual de Museus do Rio Grande do Sul (SEM- RS), que disponibilizou recursos, como modelos de excel, para a realização do trabalho de inventariado”, explica Ana Beatriz. 

Ela também ressalta como o processo de catalogação é importante para a memória documental. “Durante a catalogação, os jornais foram divididos em duas categorias: jornais soltos e jornais em tomos. Nos jornais soltos, cada edição recebeu um número de registro individual e foi acondicionada separadamente; já os Tomos correspondem a volumes encadernados contendo diferentes edições. A análise permitiu identificar exemplares repetidos entre os jornais soltos. Sendo assim, a coleção do jornal presente no Museu 25 de Julho totaliza 1.001 exemplares, sendo 513 edições únicas e 488 exemplares duplicados, correspondentes a 244 edições repetidas. Dessa forma, então, a coleção do Jornal O Cerro Largo reúne 757 datas distintas”, detalhou.

O projeto também trabalhou com mapas históricos datados do período de fundação de Cerro Largo, no início do século XX. Por suas grandes dimensões, parte dos mapas foi encaminhada a Porto Alegre para digitalização, realizada com o apoio do Centro de Documentação e Acervo Digital (CEDAP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 


Museu também no ambiente digital

Equipe do projeto com o historiador Almiro Antonio Spies (Foto: Tadeu Salgado/Ascom Campus Cerro Largo)

É justamente a possibilidade de ampliar o acesso a esse patrimônio que conecta o primeiro trabalho ao projeto “Museu 25 de Julho e outros espaços de circulação”, coordenado pela professora Caroline Mallmann Schneiders e desenvolvido desde maio de 2025. A iniciativa trabalha na criação de um site para o museu, que permitirá disponibilizar no ambiente digital parte dos materiais preservados em seu acervo. “O objetivo é contribuir para a preservação do patrimônio histórico e cultural mantido pelo museu e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso da comunidade a esse acervo por meio da criação de um espaço virtual”, explica a coordenadora professora Caroline Mallmann Schneiders. 

Atualmente, o projeto realiza os processos de organização do layout do site, bem como processo de coleta das informações gerais que serão inseridas em sua página inicial. “É uma etapa que exige um trabalho cuidadoso de pesquisa, revisão e organização das informações, buscando garantir que o ambiente virtual seja acessível, funcional e representativo da história preservada pelo museu”, aponta Caroline.

Também está prevista a disponibilização no site da catalogação da coleção do jornal O Cerro Largo, pertencente ao acervo do museu cuja catalogação foi realizada pelo programa coordenado pela professora Ana Beatriz Ferreira Dias. Para Caroline, colocar esses materiais em circulação “também é uma forma de aproximar a comunidade de sua própria história”.

As experiências envolvem estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos administrativos, professores e colaboradores externos em diferentes etapas do trabalho. Para a bolsista Isabeli Knebel, “a participação proporcionou o desenvolvimento de diversas habilidades acadêmicas e profissionais, como pesquisa documental, escrita formal, organização de informações, catalogação, utilização de ferramentas digitais e trabalho em equipe. Além disso, a experiência extensionista contribui para o fortalecimento do senso crítico e da responsabilidade social, uma vez que permite compreender a importância da preservação da memória coletiva enquanto compromisso cultural e cidadão”. 

A articulação evidencia como diferentes etapas fazem parte de um mesmo processo de preservação da memória: conservar os documentos físicos, conhecer e organizar o acervo, digitalizá-lo e criar condições para que ele seja consultado e apropriado pela comunidade. “O museu configura-se como um espaço de preservação da identidade cultural, de fortalecimento da memória social e de valorização das narrativas históricas locais. O espaço online amplia essa possibilidade, tornando o patrimônio mais acessível à comunidade”, afirma Caroline.

A professora Ana Beatriz ressalta a importância do trabalho conjunto para a realização das ações. “Foi um trabalho tecido a muitas mãos e mentes. Um trabalho coletivo que deu origem a uma profícua parceria entre a UFFS e o Centro Cultural 25 de Julho, marcada pelo respeito às trajetórias, aos saberes e às contribuições de cada instituição. Representado por seu presidente, José Hister, o Centro Cultural, entidade mantenedora do Museu 25 de Julho, acolheu nossas propostas e caminhou conosco na construção das ações de documentação museológica ao longo desses anos”, conclui.

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